{"id":3469,"date":"2017-05-10T04:57:34","date_gmt":"2017-05-10T07:57:34","guid":{"rendered":"http:\/\/2017.varilux.com\/?page_id=3469"},"modified":"2021-11-16T16:50:52","modified_gmt":"2021-11-16T19:50:52","slug":"o-festival","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/variluxcinefrances.com\/2021\/o-festival\/","title":{"rendered":"O Festival"},"content":{"rendered":"<p><strong>As coisas da vida<\/strong><\/p>\n<p>Depois de ter sido um dos setores mais afetados pela pandemia, o cinema segue na linha de frente, enfrentando uma das mais tem\u00edveis sequelas do p\u00f3s-Covid: o perigo de nos recolhermos para dentro de n\u00f3s mesmos, seja no plano pol\u00edtico, seja no plano individual. Para o cinema, este perigo tem um nome: a &#8220;cultura do sof\u00e1&#8221;, embalada pelo fen\u00f4meno do &#8220;binge watching&#8221;, somadas \u00e0s refei\u00e7\u00f5es via delivery e \u00e0s redes sociais&#8230;<\/p>\n<p>Ao cinema cabe uma grande responsabilidade: ajudar as pessoas a reencontrarem \u201co gosto dos outros\u201d (famoso filme de Agn\u00e8s Jaoui!), a deixarem de ver no outro apenas um poss\u00edvel transmissor do v\u00edrus; a n\u00e3o recusarem o mundo exterior por ach\u00e1-lo demasiado t\u00f3xico&#8230; Enfim, a reencontrarem \u201cAs coisas da vida\u201d, para citar o comovente cl\u00e1ssico de Claude Sautet, estrelado por um casal de atores m\u00edticos (Romy Schneider e Michel Piccoli), que ter\u00e1 seus 50 anos celebrados pelo festival Varilux 2021.<\/p>\n<p>Como o ator Michel Piccoli que, ao sofrer um acidente de carro, v\u00ea passar na sua mente o filme da sua vida e se pergunta o que deveria ter feito ou deixado de fazer, a pandemia nos fez compreender que o essencial est\u00e1 nas coisas mais simples: come\u00e7ando pela necessidade do contato humano.<\/p>\n<p>Desde o seu nascimento, o cinema \u00e9 um espa\u00e7o fundamental para preservar a vida social, seja num bairro ou numa cidade. \u00c9 uma experi\u00eancia \u00fanica a viv\u00eancia proporcionada pela comunidade ef\u00eamera que se forma \u00e0 nossa volta na sala escura de um cinema, onde compartilhamos uma mesma emo\u00e7\u00e3o. A Fran\u00e7a acerta quando defende com firmeza suas 5.500 salas de cinema, as quais recebem ajuda substancial dos munic\u00edpios e do governo federal em um esfor\u00e7o para fazer com que nenhuma delas feche suas portas.<\/p>\n<p>Recentemente a comunidade cinematogr\u00e1fica francesa se op\u00f4s \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o nos cinemas de um festival organizado pela Netflix \u2013 considerado como o &#8220;melhor&#8221; inimigo do sistema de apoio ao cinema franc\u00eas e das salas de exibi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem compare essa resist\u00eancia \u00e0quela da pequena aldeia gaulesa de Asterix&#8230; Talvez para alguns seja uma causa perdida, mas acreditamos que assistir a filmes no cinema continua a ser uma das &#8220;coisas da vida&#8221; que valem a pena ser defendidas. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es que motivam a equipe e os parceiros do Festival Varilux. Pensamos ser essencial que o primeiro contato com uma obra cinematogr\u00e1fica se d\u00ea no formato de uma grande tela. Como dizia Malraux, \u201ca cabe\u00e7a dos atores \u00e9 maior do que a de voc\u00eas\u201d. Ver um filme numa grande sala ou num smartphone, s\u00e3o experi\u00eancias sensoriais e emocionais que n\u00e3o se comparam.<\/p>\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o sentir uma grande tristeza ao descobrir os danos provocados pela Covid nos cinemas independentes por todo o Brasil: muitos deles permanecem fechados \u2013 alguns para sempre. Lament\u00e1vel que as autoridades n\u00e3o deem maior aten\u00e7\u00e3o a esses espa\u00e7os t\u00e3o essenciais para a vida em sociedade.<\/p>\n<p>Com esta nova edi\u00e7\u00e3o, o Festival Varilux, espera &#8211; modestamente &#8211; ajudar os cinemas parceiros a reconquistarem seu p\u00fablico. Para isso, conseguimos montar uma magn\u00edfica sele\u00e7\u00e3o: temos orgulho de cada um dos vinte t\u00edtulos escolhidos para 2021, todos consagrados pela cr\u00edtica, pelo p\u00fablico, por festivais ou por pr\u00eamios como o C\u00e9sar (Sete pr\u00eamios C\u00e9sar para Adieu les cons!).<\/p>\n<p>O p\u00fablico brasileiro poder\u00e1 reencontrar os maiores atores do cinema franc\u00eas, como Catherine Deneuve \u2013 incrivelmente comovente ao lado de Benoit Magimel em Enquanto vivo \u2013 G\u00e9rard Depardieu, Sophie Marceau, Pierre Niney, Fran\u00e7ois Cluzet, Mathieu Amalric, Andr\u00e9 Dussolier&#8230; Todos em filmes dirigidos por cineastas consagrados, como Fran\u00e7ois Ozon, Jacques Audiard, Laurent Cantet, Albert Dupontel, os irm\u00e3os Larrieu e Philippe Le Guay \u2013 sendo este \u00faltimo presente no Festival Varilux! Sem esquecer da nova gera\u00e7\u00e3o de atores franceses, entre os quais o extraordin\u00e1rio Benjamin Voisin, que estrela a magn\u00edfica adapta\u00e7\u00e3o do romance de Balzac Ilus\u00f5es perdidas, ou o sutil Sami Outalbali (conhecido por sua participa\u00e7\u00e3o na s\u00e9rie &#8220;Sex education&#8221;), que empresta seu brilho a Um conto de amor e de desejo. Estes dois atores, bastante jovens, que encarnam o futuro do cinema franc\u00eas, vir\u00e3o at\u00e9 n\u00f3s para se encontrar com o p\u00fablico brasileiro durante o festival.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mesmo estando voltado para o futuro, o festival n\u00e3o se esquece do passado glorioso do cinema franc\u00eas e prestar\u00e1 homenagem a seu \u00eddolo nacional, Jean-Paul Belmondo, com a proje\u00e7\u00e3o do Magn\u00edfico \u2013 filme que sempre foi muito apreciado pelo p\u00fablico brasileiro.<\/p>\n<p>Por nos ter permitido fazer o festival \u201crenascer\u201d, os nossos agradecimentos ao Minist\u00e9rio do Turismo\/Secretaria Especial de Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo \u00e0 Cultura, \u00e0 Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e \u00e0 Prefeitura do Rio de Janeiro por meio da Lei do ISS.<\/p>\n<p>Obrigado a Essilor\/Varilux, em especial ao seu presidente S\u00e9bastien Picot. Nossos agradecimentos \u00e0 Embaixada da Fran\u00e7a e \u00e0s Alian\u00e7as Francesas, que, com entusiasmo, levam o festival a todas as grandes cidades brasileiras! Obrigado \u00e0 Unifrance, Club Med, Air France, Fairmont, Ingresso.com, Tereos, Dispositiva e a todos os nossos outros parceiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As coisas da vida Depois de ter sido um dos setores mais afetados pela pandemia, o cinema segue na linha de frente, enfrentando uma das mais tem\u00edveis sequelas do p\u00f3s-Covid: o perigo de nos recolhermos para dentro de n\u00f3s mesmos, seja no plano pol\u00edtico, seja no plano individual. 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